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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Falando sobre Limpeza

Já começo dizendo que o post de hoje pode ser um pouco polêmico, mas achei necessário vir aqui falar um pouco das MINHAS EXPERIÊNCIAS sobre esse assunto. Lembrando que as minhas experiências, não devem ser tomadas como verdade absoluta e imutável, mas apenas como uma referência do que eu tenho visto - que pode ser igual ao que você já viu/irá ver, mas também totalmente diferente. Deixando claro também que essas minhas experiências, não são necessariamente, elogios ou críticas mas apenas relatos do que eu vi até o presente momento. Afinal, se vejo algo que pode ser considerado ruim para VOCÊ, não acho que devo mentir e mudar os acontecimentos. 


Quando se pensa num país e numa cultura tão diferente da nossa, começa-se a imaginar de tudo um pouco. Desde as coisas mais banais, como: o mercado de trabalho, a economia, população da cidade... até as coisas mais pessoais e curiosas como: as relações familiares, tradições ou hábitos de limpeza.

Na minha opinião, esse é um assunto muito interessante porque acho que reforça a ideia de que ninguém é melhor do que ninguém. Nenhuma cultura é melhor do que a outra. Ninguém tem hábitos culturais melhores do que os outros. Não se trata de superioridade ou do mais correto. Se trata apenas do diferente. E vamos ser sinceros, certos hábitos são dificílimos de serem aceitos. Observamos certas características nas pessoas, que para muitos de nós, pode ser até chocante, mas para que quem cresceu em determinado país, com determinada vida, em determinada cultura, são absolutamente normais, tornando na verdade quem está de fora o verdadeiro estranho.

Já ouvi de tudo um pouco sobre esse assunto. Pessoas que tiverem impressões muito negativas e outras que tiverem impressões muito positivas, quando o assunto é limpeza.

  • De um MODO GERAL, o que eu tenho a dizer:
Os hábitos de limpeza por aqui, são variáveis de pessoa para pessoa. Por exemplo, o povo brasileiro. Comentamos entre nós, e sempre ouvimos de estrangeiros, que o brasileiro é muito limpo e toma banho toda hora. Especialmente no verão, são vários banhos por dia. Essa é a "regra geral". Então na teoria, todo brasileiro deveria ser muito asseado. Mas sabemos também que nem todo mundo é assim. Experimenta só, entrar num ônibus ou no metrô lotado pela manhã pra ver como vai ser o cheiro da galera rsrsrs. Todo mundo sempre tem uma piada sobre os odores matinais, quando estão indo para o trabalho. Mas ué, o povo brasileiro não toma banho toda hora? Como isso acontece então? Simplesmente acontece porque mesmo debaixo dessa ideia generalizada, as pessoas são diferentes.

Já ouvi falar tanta, mas TANTA besteira por aí sobre esse assunto! Já vieram me falar que turco não escova o dente, que não passa desodorante, que não cheira bem... e eu posso dizer que isso tudo é mentira. É óbvio, que existem turcos que são assim. Mas existem brasileiros assim, ou qualquer cidadão de qualquer nacionalidade. Então, não posso responder pelo asseio de cada uma das pessoas que moram nesse país.

Muito pelo contrário, acho os turcos extremamente limpos. Até porque na teoria, sabemos que a Turquia é um país de maioria muçulmana. E um dos 5 pilares do Islam, é a realização de 5 orações por dia. Para fazer essas orações, o muçulmano deve estar limpo por dentro e por fora, como um sinal de pureza ao se apresentar diante de Deus. Na limpeza física, chamada de ablução, os muçulmanos lavam suas mãos, pés, rosto, ouvidos, nariz, boca... Não se deve nem falar com outra pessoa enquanto a ablução é feita. Mulheres e homens devem também, de um modo geral, manter-se sempre limpos. Isso inclui as partes íntimas, onde devem manter os pêlos dessas regiões - genitália, axilas... - aparados. Pode ser até curioso para gente, que vemos os homens com os os pelos das axilas geralmente longos, ver os turcos - e os muçulmanos de uma maneira geral - com os pêlos das axilas beeeem curtinhos.

A partir dessas informações podemos concluir que os turcos são pessoas extremamente limpas. É claro que isso não vai ser aplicado a todos, mas na teoria é assim que deveria acontecer.
  • Quais as minhas impressões PESSOAIS sobre esse assunto:
Começando pelo fato de que meu namorado chega a ser CHATO de tão limpo, já comecei tendo as melhores ideias. Ele é muçulmano praticante, então faz as 5 orações diárias e por consequência, as abluções. Ele tem também mania de limpeza, mas isso é coisa pessoal dele. Ele não gosta de sentar na rua, por exemplo. Se estivermos na rua, cansados, e quisermos sentar e não houver cadeiras, eu provavelmente iria sentar no degraus de alguma escada ou paralelepípedo, sem problema nenhum. Ele, por exemplo não gosta disso. Ele tem também mania de limpar as mãos ASSIM que chega em casa, pra evitar doencinhas bobas tipo gripe, conjuntivite e coisa do gênero.

Sobre os meus amigos e vizinhos, lá vão algumas das coisas que eu venho vivendo:
- Acho que todo mundo já sabe que na Turquia, as pessoas não entram com o mesmo sapato que usaram na rua, dentro de casa. Todo mundo tira os sapatos na porta, ou logo na entrada, e usa os chinelinhos que toda casa tem - e aos montes para as visitas

- Algumas casas, como na minha por exemplo, tem um par de chinelos dentro de cada banheiro da casa. Esses chinelos também não saem de dentro dos respectivos banheiros, porque são somente para serem usados ali. Eu confesso que eu não uso, nem a Yaren - que mora comigo - usa. Mas eles estão lá, para se por exemplo, o chão ficar úmido e a gente não usar nossos chinelos molhados pela casa.

- No meu apartamento, e nas vizinhas aqui do meu prédio, tem uma varandinha pra fora de casa e adivinha só: tem um chinelo só pra essa varandinha, que não entra dentro de casa também. Quer dizer, pode até entrar, mas se eles forem devidamente lavados depois.

- A gente sempre ouve falar de como as mulheres turcas são ótimas donas de casa, sempre fazendo muitos pratos deliciosos e sendo muito dedicadas com a limpeza da casa. E é bem por aí mesmo. Quando a mulher não trabalha, em geral, ela está sempre limpando e cozinhando não só o básico - café, almoço e janta - mas também doces, biscoitos, bolos... 

- Para lavar a louça, quase toda casa por aqui tem máquina de lavar. No Brasil, quase toda casa tem microondas, mas não são a maioria que tem lava-louças. Já por aqui quase todo munda usa lava-louças. Eu não tenho, aceito doações rs :"(

- Essa não sei se é na maioria das casas, mas aqui em casa e nas vizinhas aqui do meu prédio, para limpar o chão, elas usam muito pouco a vassoura... mas usam sempre o aspirador de pó. Acho que é porque aqui a energia elétrica é menos cara do que no Brasil, daí não tem problema usar todo dia. Mas na minha casa no Brasil, minha vó pedia pra eu evitar de usar tanto o aspirador por causa da conta. Daí era vassoura mesmo.

- Esse tópico é muito curioso pra mim. No Brasil, a gente evita de colocar a faca no requeijão e em seguida na manteiga, por exemplo. Em geral, mantemos uma colher/faca/garfo para cada uma das coisas da mesa. A colher que vai no feijão, não vai no arroz. E em especial, você NUNCA vai colocar a colher no prato que está com a comida pra todo mundo, colocar na sua boca e depois colocar de novo no prato principal. Mas aqui o negócio acontece um pouco diferente. Se tiver na mesa do café-da-manhã: Queijo branco, queijo kasar, geleia, mel, tomates... voce vai ver muita gente colocando seu talher em cada uma dessas coisas, levando a boca, e depois colocando de novo em outra coisa.

- Eles também consideram o jornal algo limpo. Eles podem colocar inclusive comida em cima do jornal. E quando eu digo em cima, é em cima mesmo como por exemplo pão, diretamente em cima do jornal. Quase infartei quando eu vi... não falei nada, mas peguei meu pãozinho e coloquei na toalha.

- Muitos dos vendedores de rua usam a mesma mão que pegam o seu dinheiro na comida que vão te vender. Isso é muito comum nas várias barraquinhas de Simit - pãozinho em forma de rosca, com gergelim em cima - que tem por aqui.
Barraca de Simit
- Essa foi ontem, e eu confesso que me choquei. Vi um senhor vendendo alguma coisa que eu esqueci rs, com as notas de dinheiro na boca. Ele foi passar a mercadoria pro cliente, e suas mãos ficariam ocupadas. O que ele fez? Pegou nas notas e colocou-as na boca. 

- Eles fazem muitas coisas sentados no chão como comer e cozinhar, o que eu acho super aconchegante. Quando eu vou fazer biscoitos com a minha vizinha, ela forra uma toalha no chão, colocamos os ingredientes sobre a toalha, sentamos e enquanto conversamos e rimos, fazemos os biscoitos de uma maneira muito mais confortável. Então por essas e outras o chão deve estar sempre super limpo.

- As casas são repletas de tapetes e esses tapetes também são mantidos bem limpinhos.

- Aqui eles tem o hábito de usar lencinhos umedecidos, daqueles de bebê mesmo. Eu nunca tinha visto em embalagem pequena, mas existem pacotinhos de 10/15 unidades para as pessoas carregarem na bolsa e manterem as mãos sempre limpas. As casas em geral tem aquele pacotão, mas nos restaurantes e até barraquinhas de comida nas ruas, como no Peixe Histórico de Eminönü, eles dão um lencinho pra você limpar a mão. Em muitas casas e restaurantes, eles também te oferecem uma colônia com cheirinho de limão pra você usar nas mãos. 

- Não posso afirmar se é com a maioria também, mas minha amiga foi comigo na feira e eles ofereceram morango pra ela provar e ela comeu na boa, sem lavar. Chegando em casa a gente lavou os morangos direitinho, mas foi uma surpresa pra mim ela experimentar o morango na feira.

- As vassouras tem seus cabos removíveis, e confesso que acho muito difícil ter que ficar mudando o cabo do rodo pra vassoura e depois da vassoura pra um outro objeto de limpeza - que eu esqueci o nome tb rs - que eles usam por aqui quando precisam passar água no chão.

E devem haver muitos outros exemplos que eu posso ter me esquecido agora.
Mas em resumo, o que eu posso dizer...

Quando te disserem: "Os turcos são isso ou são aquilo", desconfie. Ninguém é modelo de nada. Desconfiem inclusive de mim. Eu tento escrever da maneira menos generalizante possível, mas sei que também as vezes posso escorregar nas coisas que digo. Então pra começo de conversa, não dá pra colocar todo mundo no mesmo saco. Mas é claro que é inegável notar certos hábitos comuns a muitos.

A MINHA opinião sobre o que observei do meu namorado, amigos, vizinhos e tal... é que apesar de hábitos que as vezes podem ser muito chocantes para nós, considero todos eles pessoas muito limpas. Também não posso responder por cada individuo ou determinado grupo de pessoas, mas em geral, se alguém te disser que os turcos são sujos ou algo parecido, descarte essa possibilidade, porque provavelmente essa pessoa teve um experiência ruim... você vai se surpreender em como eles podem ser cuidados e extremamente preocupados com a limpeza pessoal, da sua família e da casa.

Espero que o post tenha sido útil de alguma forma.
Beijão a todos e estou esperando os comentários, pra ver quais as experiências de vocês sobre esse assunto :)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Valeria e Janete: Muçulmanas decididas!

Bom dia a todos os leitores deste blog!
Bom dia a redatora chefe, Jess, que esta a finalizar seus ultimos oficios em terra de Tupiniquins!

Num brainstorm frenetico, eu e minha chefe Jess (hehe) conversavamos sobre a importancia da mulher na Turquia. Conversa vai e conversa vem, decidimos escrever algo para esta tangente. Obviamente que descaracterizar-se-a, tratar mulher na Turquia e nao conecta-la, directamente, ao İsla mas vamos la! (İsso mesmo... é como ligar uma tomada).

Dai chega a hora em que voce se pergunta: Ta Jack, mas eu sou brasileira, catolica de formaçao e nao sei nada de İslamismo, como assim estou ligada directamente a ele?
E eu respondo: Acalme-se! Mostraremos agora uma paleta de cores e opçoes. Vamos mostrar como voce é vista pela religiao e desta forma lhe daremos um pouquinho mais de bagagem para que a sua mudança de um pais catolico nao seja tao sofrivel, para um pais İslamico.

Para dar enfase ao meu datilografar, convido duas amigas que voces beeemm conhecem: Valeria e Janete!



Aplausos para elas que farao uma breve apresentaçao do projac antes de me ajudarem! Assistam:

http://www.youtube.com/watch?v=j_rs7lro78E

Vamos aos factos agora?

1 - O alcorao sagrado em 4:34 diz:

  • "Os homens sao os protetores das mulheres, porque Deus dotou uns com mais força do que as outras, e pelo o seu sustento do seu peculio"


Jack - "Caracoles Valeria!" Com isso eu ja consigo ate presumir de onde vem esta forma "diferente de amar", como aqui é conhecida que eu particularmente chamo de possessao! Mas bacana... cabe ao homem a obrigatoriedade de proteger a mulher...

2 - Em uma sociedade muçulmana, o marido tem a completa responsabilidade de sustento de sua familia, o que a esposa ganha ou possui ficam com ela.

Jack - "O destino... tu ta de sacanagem comigo?" Gente... mas isso eh tudo nao? Olha que sonho: Teu marido rala pra sustentar a casa... tudo o que tu ganha deve ficar contigo! (Outlets de İstambul, abram alas para a mulherada!)

3 - A mulher tem seu dominio de casa onde ela tem a iniciativa, mas ela tem que considerar o marido como o responsavel dos assuntos gerais da familia.

Jack - "Eu ja nao te falei que o Waldemar morreu?" Ta, vamos dar um creditozinho para os homens tbem... deixem ele decidir algo! : ) - esta parte exprime o seguinte na verdade: Dentro de casa quem manda é o homem. Geralmente os homens fazem os pedidos para as mulheres até em restaurantes (é o que tenho visto bastante por aqui).

4 - O profeta Muhammad diz tambem que: "A melhor esposa é aquela, que quando voce a olha sente-se feliz, quando voce pede algo ela bedece (ja vou falar sobre isso... calma ai leitora!), ela proteje seus direitos e guarda a sua castidade quando o marido esta ausente"

Jack - "Ai como eu to bandida!" Para tudo! Para tudo profeta... Que babado é esse aqui? Escrava? Guarda a castidade? E o homem deve fazer o que nessa hora em que ela ta o servindo e guardando a castidade? Sabe que na familia de meu companheiro é bem assim: As mulheres servem ao homem o tempo todo... Eu ate gosto servir... amor servir... mas pelo simples motivo de agradar e nao por ser obrigatorio... Nao gostei profeta, vamos revisar esse babado aqui hein...

5 - O papel da mulher muçulmana no lar tem muita importância para a felicidade do marido e o bem estar e desenvolvimento físico e espiritual das crianças.

Jack - "Olha aqui balbuina guerreira!" - Para o mundo que eu quero descer! Como assim caracoles? E a felicidade dela fica como? "Sou um androide, fui criada para servir!" É engraçado mas as mulheres que nasceram desta religiao tem prazer em servir ao homem... entao meninas... ja vao se acostumando mais ou menos com a ideia... ao menos que teu broto seja um fake... mas enfım... nao sou contra o servir mas sou contra essa falsa felicidade sabe, de que servir é o seu papel...

6 - A mulher é poupada da luta cotidiana do trabalho e sobrevivencia no ambiente competitivo dos homens para que ela mantenha a sua saude mental e equilibri necessario para educar e formar o carater das crianças, deste comportamento da sociedade das proximas geraçoes.

Jack - "Ahhhh (Risada com aqueles olhinhos da Valeria)" Eu entendi direito? Como assim a mulher é poupada do trabalho para que ela mantenha a saude mental...? Pois bem, acho que isso poderia ser mais direto: Mulher nao pode trabalhar aonde e onde tem homem para la é um local de loucos.

Abaixo coloco mais alguns topicos a serem debatidos mas deixo para voces o fazerem... O topico 8 nao me agradou muito...


7 - As mulheres são predispostas geneticamente a reagirem a estímulos de maneira diferente do ser masculino.

8 - As que protestam pela emancipação feminina, alegam que o equilíbrio nas relações entre os sexos é sinônimo de repressão e dependência das mulheres.
O Islam ao contrario, testa que este equilíbrio tem sua origem em fatos imutáveis, e que ele não pode ser alterado, porque neste caso, surgiria uma quebra na lógica dos relacionamentos entre o homem e a mulher.
Se uma criança do sexo feminino prefere uma boneca ou outros brinquedos representem ternura, carinho ou delicadeza, não é por imposição machista mas sim por pré disposição instintiva que se originou em sua formação da identidade intelectual.
Seria violentar a sua natureza, que se tenta-se em nome da ''igualdade dos sexos'', presenteá-la com um par de luvas de boxe.
Da mesma maneira seria desastroso para a natureza da mulher tentar impor-lhe em uma sociedade as mesmas atribuições que se impõe á um homem.
Infelizmente está prática é comum nas sociedades que se auto denominam ''progressivas'' acarretando a elas, as conseqüências dos
malefícios tão conhecidos; degradação da família, delinqüência juvenil, toxicomania, alcoolismo, distúrbio da personalidade, homossexualismo, etc...
Somente através de uma ação conjunta entre célula familiar, escola, entre outros, podemos estabelecer iniciativas de reeducação para compor um equilíbrio entre os sexos.
Particularmente o núcleo familiar assume um papel de especial importância nesta tarefa, pois é o primeiro grupo de influencia com o qual as crianças tem contato.
É a obrigação dos pais informarem-se a respeito das diferenças que existem entre igualdade e equitatividade.
Estes dois princípios, cuja a compreensão faz-se necessária, para que possamos por de um lado as falsa noções de igualdade e estabelecer a justiça entre os sexos como parâmetro na educação familiar.

Mas é assim meninas e meninos... 
Analisem com carinho antes de se jogarem neste mundo "louco de ideias"!

Por outro lado, nem todos sao praticantes-mega-fervorosos da religiao aqui entao se o seu broto pensar mais ocidentalmente voce tem a chance dele nem saber destas coisas!

So preparem-se para uma vida diferente, nao é isso Valeria e Janete? : )
Deem tchau para suas leitoras e agradecemos a participaçao de voces aqui!







sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Você vai se converter?

Geralmente, quando frequentamos assiduamente um templo religioso e começamos a pensar em ter alguém ao nosso lado para dividir a vida, queremos alguém que frequente aquele mesmo templo também. Que tenha a mesma religião que nós. Não é todo mundo que pensa assim logo de cara. Mas as muitas pessoas que não são tão ligadas assim em religião não pensam muito nesse assunto. Mas a verdade é que, mesmo que não demos tanta importância a isso, coisas assim podem fazer MUITA diferença no nosso dia-a-dia e até mesmo no sucesso do nosso relacionamento.

Digamos que você, acredita em Deus, mas não gosta muito de igreja, não ora, pouco se importa com as tradições e liturgias da sua religião. Daí você conhece um muçulmano e se apaixona por ele. No começo você até acredita que isso pouco terá influencia entre vocês dois e que podem levar isso perfeitamente, sem o menor problema. Eu acredito que é possível. Se não acreditasse, não estaria namorando um muçulmano.

Mas existem perguntas que é preciso fazer a si mesmo, e começar a pensar e repensar na cabeça, para ter certeza de que você é capaz entender. E entender não significa falar "Ah tá" com cara de raiva e esquecer. Aceitar não é falar mal pelas costas. Na minha concepção, aceitar é, ainda que você não goste, não entenda muito, saber que o ponto de vista do outro tem o seu valor. Não é legal ter raiva e criticar severamente a cultura ou religião de quem se ama.

É claro que todos temos o direito de gostar ou não do que bem entendermos. Gosto não se discute. Mas ao estar ao lado de alguém, e se você ama essa pessoa, precisa entender que o mundo dela é além das palavras de amor que ela te diz. Uma pessoa vem carregada de um passado, de erros, de acertos, de manias, de tradições, de ideias, filosofias, sentimentos, família... Estar com essa pessoa, e especialmente ao se casar com ela, você se casa com tudo essas outras coisas também. Sim você se casa com a família dela. Você se casa com a tradição dela. Você se casa com os defeitos dela.

Não que você tenha que assumir a mesma religião e viver as mesmas tradições. Mas é saber que aquilo ali faz parte de quem ela é hoje, de quem se tornou a ponto de você amá-la tanto. Então quando amamos, não dá só pra aceitar o que gostamos. Tem que aceitar até o que não gostamos.

Portanto se você vai namorar ou se casar com alguém tão diferente de você, aceite quem ele é assim como você gostaria que ele aceitasse você também.

Algumas perguntas que me fiz, e que acho que podem ser bem úteis, que ativaram bem a consciência da escolha que estou fazendo (estar apaixonada, nos faz esquecer que teremos dificuldades, como qualquer outra pessoa):

- Se eu quiser frequentar a minha religião, ele vai implicar com isso?


- Se ele quiser frequentar a religião dele, isso vai me incomodar?


- Conseguimos falar sobre nossas religiões sem brigar?


- Quais são as tradições dele?


- Se um dia, ele me convidar a ir ao templo religioso que frequenta, iria em paz porque o amo e o respeito, ou iria de cara fechada, quase que obrigada? Como ele agiria na situação oposta?


- Ele ou a família dele me obriga, ou faz algum tipo de pressão para que eu me converta? (Lembrando que no Islam, forçar alguém a se converter é pecado, além de que, não será sincero da parte de quem se converte. Logo, não vale de nada. E uma coisa é ele ser sincero e te confessar que um dia tem a vontade de que você se converta, outra coisa é fazer pressão psicológica)

- Se tivermos filhos, como vamos criá-los?


- Vou conseguir aceitar criar meus filhos na religião dele? Ele e a família dele vão aceitar se eu quiser criar meus filhos só na minha religião?


- Ok, conseguimos chegar num acordo e nossos filhão vão aprender sobre as 2 religiões ao mesmo tempo. Mas e os rituais, nossos filhos vão fazer parte dos 2? (Por exemplo, o menino muçulmano é circuncidado. As crianças na igreja católica são batizadas, ainda quando bebês. Na igreja evangélica, as crianças são apresentadas a Deus, e só se batizam quando forem maiores e tiverem consciência do que é batismo).

- Meus filhos vão participar de todos os rituais de ambas as religiões, só da minha ou só da religião dele?


- Nas datas festivas (Natal, Ramadan, Dia do Sacrifício, Semana Santa...), ambos aceitamos participar dessas comemorações?

E muitas outras perguntas, que podem até parecer pouco, quando se está apaixonado, e que dá a impressão de que tudo se ajusta muito fácil. Mas que precisam ser pensadas, para que depois, em um momento ou outro de brigas, não saiam palavras cheias de rancor sobre todas essas mudanças que aconteceram na vida de cada um. A facilidade que isso tem na vida, depende exclusivamente do casal. Da capacidade de amar e aceitar. Ou da dificuldade de entender.

Não é impossível! Muito pelo contrário. Existem muitos casais ecumênicos (de religiões diferentes) que estão aí para nos provar que o amor consegue sim conciliar as coisas. Mas cada um com seu cada um. O que é difícil pra um, é super fácil para você. O que funciona pra alguém, pode não funcionar para mim. Avalie-se. Conversem. Pergunte.

Só não vale depois que aquele êxtase de paixão adolescente diminuir um pouco, pela convivência do dia-a-dia, você começar a cair na realidade e se arrepender de não ter pensado nisso antes. Este é o meu conselho.

Agora tem uma segunda parte, muito importante. Falei das dificuldades em aceitar. Mas quero alertar sobre a facilidade demasiada ao aceitar as coisas.

Estar apaixonado, é um sentimento único, que tira seus pés do chão. Tudo se torna lindo, viver fica mais fácil, os problemas parecem até diminuir... é uma sensação maravilhosa, que nos faz até fazer coisas, que jamais pensaríamos em fazer. Quem está apaixonada aí levanta a mão! hahaha \o/

Com isso, muitas meninas se convertem por amor (ou revertem - como é dito no Islam. Eles acreditam que uma pessoa já nasce muçulmana. Então ela se reverte, e não se converte). Não critico de forma alguma quem se converte. Mas isso é preciso ser feito de coração, com toda a sua verdade. Porque você acredita, porque algo acontece dentro do seu coração, porque tem uma fé te move, e te faz querer viver dentro daquela religião. Isso é uma conversão genuína, e definitivamente aceita por Deus.

Mas nunca nunca nunca se converta, ou se diga convertida por conveniência. Porque assim você vai fazer o seu namorado ou marido te amar mais. Porque a família vai implicar, então é melhor se dizer convertida. Coisas assim, começam como algo sem importância, que você acha até que não tem problema, mas que lá na frente, podem gerar problemas que você poderia ter evitado se tivesse sido sincera consigo mesma.

Se converter é algo sério. É crer em algo novo. É viver um estilo de vida que implica na sua relação familiar, na relação com seus amigos, no modo de criar seus filhos, e como você leva sua vida. Pense assim: se você se converter ao ir morar no país muçulmano, ao voltar para o SEU país de origem, vai se arrepender? Vai conseguir levar adiante sua escolha, não importa quem esteja ao seu lado, ou onde você esteja?

Vale a reflexão. Cristãs, muçulmanas revertidas, muçulmanas de berço... sejam sinceras, de coração aberto pra entender diferenças. Tenham paciência quando surgirem os pequenos atritos. Conversem bastante, sobre tudo o que te preocupa. E acima de tudo, tome uma decisão consciente para não se sentir infeliz, e com sua infelicidade, não fazer quem te ama infeliz também.

Boa sorte a todas nós nas nossas escolhas, e que Deus nos ajude sempre a tomar decisões equilibradas.
O Alcorão e a Bíblia
Beijinhos

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Famoso Chamado à Oração (Vídeo Meu)

Acho que todo mundo que conhece um muçulmano, ou que ao menos assista à novela O Clone, sabe que o muçulmano, teoricamente, deve orar 5 vezes ao dia. Teoricamente, porque claro que nem todo mundo faz.

Não vou me estender sobre esse assunto, já tem um post legal da Relva, falando sobre isso, dizendo inclusive o que é dito no 'athan' ou 'azan'(falado assim na Turquia) que é o nome pra essa chamada que ecoa pelas ruas de todo o país. Esse chamado é feito de acordo com a altura do Sol no céu. Você já deve ter percebido que de acordo com a cidade, o Sol se põe mais cedo ou mais tarde, o que faz que o 'azan' toque em horários diferentes em cada lugar do mundo. Mas dentro da mesma cidade, todas as mesquitas tocam o chamado exatamente ao mesmo tempo (através de uma gravação, OU de um muçulmano 'cantando' o chamado mesmo, isso pode variar).

O que é dito:
-Allāhu Akbar  (Deus é o Maior)
-Ash-hadu an-lā ilāha illallāh  (Testemunho que não há outra divindade além de Deus)
-Hayya 'alas-salāh  (Venha para a oração)
-Hayya 'alal-falāħ  (Venha para a salvação)
-Aṣ-ṣalātu khayru min an-naūm  (A oração é melhor que o sono *),
-Allāhu akbar  (Deus é o maior) 
-Lā ilāha illallāh  (Não há outra divindade além de Deus)

*dita na oração da madrugada.

Por exemplo, tem aqui a lista de horários das orações pra cidade do Rio de Janeiro. Isso também é útil, para o Ramadan, pra saber quando o jejum começa e quando ele termina. Tem 1001 blogs falando sobre Ramadan, então acho desnecessário falar mais. Se alguém quiser que eu poste alguma coisa a respeito, é só pedir, que eu posto tudo direitinho. Como funciona, o que tem que fazer, quanto tempo dura, quando começa, qual o significado, quais os benefícios... essas coisas todas.

Mas voltando ao chamado pra oração, para muitas pessoas é estranho ou até incômodo. Mas sendo sincera, quando ouvi pela primeira vez lá em Istambul, achei algo lindo. Fiquei muito emocionada, como se Deus chegasse na porta do céu, e chamasse a gente pra falar com ele. Ouvindo o chamado de pertinho, não é tanto assim, apesar de ainda achar lindo. Mas quando ouvi beeeeeeeem de longe, eu tive essa sensação...
parei, nem piscava e fiquei ouvindo com muita atenção, nem me mexia. Eu ouvi o chamado de 5 e pouca da manhã, e foi uma experiencia muito legal pra mim.

Escrevi isso aqui, mas eu queria mesmo era dividir um vídeo com vocês, quando ouvi o chamado pra oração bem de perto, pela primeira vez. Dá uma olhada, na diversidade de gente em volta. Algumas entraram pra orar, outras continuaram com o que estavam fazendo normalmente. Algumas mulheres de lenços, outras não, gente fumando, gente sentada conversando, gente fazendo vídeo (eu, a turista!). De tudo um pouco, mesmo.

Na mequisita Mecidiye em Ortakoy, em Istambul. Eu, namorado e nosso amigo Mustafa (é, muita gente se chama Mustafa por lá :p ) Essa daí aliás, é a famosa ponte de Bósforo, que liga a Europa a Ásia. Ortakoy é no lado europeu de Istambul. E foi mal aí no inglês, o certo é "This is the calling to PRAYER" e não 'praying' rs.

Beijos

ps: desculpa o atraso, mas andei colocando em dia a reposta aos comentários. Viu Katia, Renata, Dani, Marise... Se ficou alguma coisa que faltou eu responder, deixa um comentário aqui, que a desnaturada que vos  fala responde. Isso é claro, se fizerem questao, afinal ate parece que voces vao perder o sono se eu nao responder né rsrs, mas só pra não ser desatenciosa.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Relacionamento a distância: imagem real ou imagem ideal?

Eu tenho uma teoria sobre relacionamentos à distância.
Para construir essa teoria dentro da minha cabeça, tenho 3 fortes aliados:
- meu grande poder de observação do comportamento do ser humano (com uma dose de "sexto-sentido", "sensibilidade" ou o que quer que você queira chamar)
- fazer comunicação social, e estudar matérias como sociologia, teoria da comunicação, comunicação e novas tecnologias, mídias digitais, estudos contemporâneos da comunicação, comunicação comunitária... (minhas matérias favoritas, e geralmente de maior nota)
- ter uma mãe que lê muito, que trabalha com a cura do trauma, aconselha pessoas, entender horrores de psicologia, é professora... com isso acabo sendo aluna vitalícia e vendo, com mais clareza, muitas coisas sobre o ser humano.

Lembro uma vez na sala de aula, a professora falando das multidões de solitários. As configurações de famílias estão se tornando as mais diversas possíveis. As pessoas andam mais centradas em si, e não na unidade familiar. Cada membro de uma família, almoça na sua respectiva empresa, distante dos outros membros. Mas se existe a chance de todos estarem em casa, ainda assim, um almoça no quarto, outro na sala, outro na cozinha... ou até mesmo todos na cozinha, mas em horários diferentes.
As pessoas se isolam do círculo familiar, e se aproximam cada vez mais do círculo virtual.

Claro que não é a maioria, mas meu avô, quase nos seus 70 anos, fica horas e mais horas dentro do quarto, com a cara no computador. Antes era a cara na TV. Mas hoje ele vê resultados da mega-sena, vê as casas de parentes e amigos pelo Google Maps, adiciona antigos colegas do Corpo de Bombeiros no Facebook e adiciona fotos das pinturas que faz, nos albums do seu perfil.

Os computadores têm se tornado os melhores amigos, guias e professores de quase todos nós. Ao acordar, ao por os pés em casa, a PRIMEIRA coisa que faço é ir para o computador. Mas a minha geração de amigos comunicadores e modernetes parece estar plugado diretamente nos seus iPhones e Blackberry's.

Não vou ficar dando aula aqui sobre Redes Sociais.

Mas o que acontece, é que mudamos o foco da nossa vida para o virtual. Viva a era da comunicação e internet!E viva mesmo.  Mas o que acontece, é que a partir daí nos isolamos um poucos mais dos amigos de carne e osso, e começamos a migrar para as amizades virtuais. E ter um amigo virtual, nos dias de hoje, é muito mais fácil e prático.

Contar problemas, segredos, desabafar, pedir conselhos... alguém, que não necessariamente, pode ver o seu rosto pode ser um alivio e tanto. As pessoas perdem um pouco mais do pudor e quebram a barreira da vergonha e conseguem se abrir mais, conversar mais. É até engraçado, porque muitos daqueles mais populares online, muitas das vezes são os mais calados, mal-humorados e até briguentos com a família no offline. Não é regra, mas o povo da faixa etária 12-17 anos tá bem assim mesmo. Eu já fui assim, aliás.

2 da manhã, sua família está dormindo. Está muito tarde para telefonar para um amigo. Você abre a telinha do computador, e está lá, alguém, uma outra pessoa online, disponível pra você dividir algo do seu dia.

Mas é claro que as pessoas vão se relacionar mais e mais profundamente virtualmente.
Não do mesmo jeito, não pelo mesmo motivo exatamente, não sob as mesmas circunstâncias.

Mas definitivamente todos têm algo em comum: o novo sentimento de se sentir próximo de alguém do outro lado do mundo. Especialmente porque pessoas virtuais, estão sempre ali quando precisamos. Mas também podem desaparecer se essa for nossa vontade. Apenas um clique e você pode deixar para falar com o amigo, só na semana que vem. As vezes, nunca mais.

Quem está longe tem menos defeitos. Até o seu amigo, não tem tantos defeitos como o seu irmão.
Pois experimente morar com o seu amigo ao invés do seu irmão. Você verá com clareza os defeitos de quem está mais perto de você, e verá com muito mais frequência o erro daquela pessoa. De repente parece que o jogo inverteu, e seu irmão nem era tão irritante assim.

Será que as características dessas pessoas mudaram? Mas é claro que não. Foi o seu ponto de vista que mudou. E com a memória curta que nós temos, sendo impulssionados pela saudade, passamos ver o que era ruim, como algo maravilhoso. É assim que aquela história da 'grama do outro lado é sempre mais verde' se perpetua. Da nossa incapacidade de nos manter conscientes sobre a imagem de alguém. Com a mesma força que amamos, também odiamos. Com a mesma força que criticamos, no dia seguinte, estamos elogiando.

Acho isso até bem positivo, se for pra mudar o conceito ruim que você tinha de alguém. Não acho falsidade não gostar muito de uma pessoa, e dentro de algum tempo se tornar amigo. Acho isso bonito, porque afinal, muitas vezes nos enganamos sobre diversas pessoas. No meu segundo período de faculdade, não gostei muito de uma amiga em comum. E durante um bom tempo não consegui me aproximar ou ver vê-la com outros olhos. Porém, no último ano, surpreendentemente, ela se tornou uma das pessoas que mais me deu a mão, quando passei por um momento terrível. Graças a Deus, eu estava errada. Fico feliz de ter tido a chance de recomeçar aquela história.

Mas o que não vale é mudar essa opinião a respeito de alguém, de acordo com a proximidade (ou distância) que ela possa estar. E taí, o ponto que eu queria chegar, sobre os relacionamentos a distância.

Li no Facebook de uma amiga hoje sobre a culpa que temos a nos relacionar com alguém virtualmente. Na internet, as pessoas mentem, melhoram, aumentam, escondem das informações mais bobas, até aquelas mais graves e que precisam ser ditas. E por causa dessas informações, muitas decepções acontecem, e inúmeros corações são partidos. Isso não é culpa de ninguém, senão de quem mentiu, ou não foi transparente como deveria ter sido. Tem que ser honesto.

Mas quando o outro é honesto, e não conseguimos ver a verdade porque projetamos aquela imagem na nossa cabeça, a culpa e única e exclusivamente nossa. Se alguém te diz por exemplo que não quer um compromisso sério no momento, não vá na sua cabeça dizer "ele diz isso agora, mas deve me amar sim, eu sinto isso". Se você vê indícios e provas claras de que as coisas podem não ser como parecem ser, dê um pouco de crédito a si mesma, e honre o cérebro que você tem.

Não é pra ser ALOKA desconfiada de tudo e de todos não. Simplesmente veja com olhos abertos. Não é pra 'ver de olhos fechados', nem botar lente de aumento pra ver o que não existe. É para, pura e simplesmente, ver. Só isso, fácil assim.

TODAS as mulheres que eu conheço e me falaram de seus namorados virtuais, me disseram que eles eram diferentes de todos os outros homens, que eram especiais, carinhosos, românticos, bons rapazes. TO-DAS. Não é possível que todos eles sejam mesmo príncipes encantados. Será que tem uma tecla no computador, que quando um homem senta lá, e se comunica com uma outra mulher, transforma ele de sapo, em príncipe?
Claro que você deve e pode se encantar quando está apaixonada, é direito seu. Você merece sentir isso.
Mas uma coisa que eu quero atentar é: cuidado! Se você empurra alguém pra dentro daquele ideal de perfeição que você tanto procura, mesmo sem a pessoa estar 100% dentro daquelas características, você vai sofrer.
Vai sofrer e vai fazer o outro sofrer também. Porque se você coloca em alguém o título de perfeito (e ninguém o é),e aquela pessoa erra, imagina a dor e a decepção que você vai sentir! É muito duro quando nossos olhos brilham por alguém, e aquela pessoa cai lá de cima do pedestal. É decepcionante e difícil para os dois lados.

Confesso que no começo do meu relacionamento com o Emre, eu era bem assim. Não via absolutamente NENHUM defeito naquela doce criatura. E isso tá errado. Vamos imaginar que eu por exemplo, logo em seguida decidisse ir pra Turquia e me casar logo de cara (nada errado em casar de cara, conheço uma história especial assim, cada caso é um caso). Eu sei que teríamos problemas. Não que eu não vá ter problemas daqui há alguns anos, porque né, eu sou humana e QUALQUER casal tem suas briguinhas, suas crises, seus problemas. Tem nada de errado nisso aí, porque são 2 cabeças pensantes e distintas. Fora toda aquela história de diferença cultural, religiosa, de nacionalidade e mil coisas. Com um casal do mesmo bairro já é assim, ninguém vai me convencer que num casal a distância, seria diferente.

Com os dias que ficamos juntos, tanto aqui no Brasil, como lá na Turquia, pude ver o verdadeiro Emre. E ele pôde ver a verdadeira Jessica. A irritadinha, que não é prendada, e preguiçosa, a atrasilda... E eu também vi a outra parte do Emre, que a webcam não deixa ver. Tivemos nossas briguinhas, pedimos desculpas, nos acertamos (e continuamos a fazer nossos ajustes) e olhe que lindo: nos amamos do mesmo jeito.

Claro que não somos o casal supremo da sabedoria, nem somos o modelo perfeito pra ninguém. Mas finalmente estou vivendo algo na minha vida, que já deveria ter aprendido a tempos. Mas paciência! Não tinha conseguido aprender antes, e fico feliz que esteja conseguindo aprender de coração para colocar isso em prática agora.

Ele continua sendo o meu príncipe encantado. Agora não estou cega, fiz meus pedidos em relação à coisas que ele fez que me deixaram triste ou poderiam ser melhoradas. Se brigamos, ficamos o quê... 30 minutos, 1 hora irritados. Mas todo o resto do tempo, ele continua sendo meu príncipe, o homem com quero me casar, que quero que seja o pai dos meus filhos, o homem que quero dividir minha vida, o homem que quero lutar e construir meu futuro do lado. Mas agora como o vejo, e como ele me vê é muito mais justo. Porque posso ser eu mesma (claro que o tempo todo tentando ser melhor e me desculpando pelos erros que venha a cometer), mas com a certeza de que ele está tomando um grande passo na vida, conscientemente. Ele não vai noivar comigo no ano que vem (se Deus quiser!), por uma fantasia que ele criou, ou por causa de uma personagem que ele criou. Isso vai acontecer, porque ele ME ama. Eu mesma, desse jeito que eu sou. E mesmo com tudo de errado, ainda assim ele me quer. Tem como não se sentir maravilhosamente feliz?

Quanto a mim, sei que estou tomando uma decisão sensata, com muita dose de sonho (porque uma história dessa que atravessa o oceano, tem mesmo que ser especial :), mas sem projetar ninguém, sem imaginar nada, sem ser enganada, sem estar iludida. É uma decisão minha, que escolhi de verdade, com todo o meu coração. O medo vêm, mas depois de desembaralhar o real do ideal, vejo que a realidade dele, é mesmo tuda aquilo que eu sempre idealizei pra mim. E não o ideal que montei, se despedaçou quando o real dele finalmente apareceu.

Acho que isso é amor. :)

domingo, 3 de julho de 2011

Coisas que você precisa saber ao namorar ou se casar com um turco!

[Detesto fazer generalizações assim. Então, o post a seguir, não é uma regra geral ou uma verdade absoluta. São apenas percepções minhas e um guia prático amador para brasileiras hehehe]

*Atualizado - adicionei outro tópico*
  • Turcos são sim, muito mais românticos e carinhosos do que a média dos homens brasileiros. 
  • Mesmo eles sendo assim mais sensíveis, atente. Existem muitos safados por aí, já tive a oportunidade de conhecer, um deles é até um amigo querido, mas com mulher ele não presta.
  • Em geral, uma vez que se apaixonam, vão logo falar de casamento com você.
  • Tratam seus amigos como irmãos. Por isso você vai ver muitas fotos de abraços entre homens turcos. Não se espante, não significa que ele é homossexual, é apenas um traço cultural. No Brasil é que homem tem essa coisa de se mostrar 'machão' o tempo todo.
  • Em geral são ciumentos. Podem não falar nada de outras mulheres ou amigas, mas se você é casada ou namorada de um turco, ele vai ficar de olho na sua roupa, se sua saia é curta, se está usando decote. (Meu namorado me ajuda a escolher meu esmalte - meu sonhooo, brigada amor! - mas alguns não gostam muito de esmalte)
  • Por mais modernetes que possam eles sempre amam aquelas músicas turcas antigas e suuuper dramáticas, onde as mulheres tem a voz super grave e parecem estar sofrendo horrores. Ai de você se criticar. Quase assim, só lembrei da Sila, mas tem outros exemplos melhores.
  • Eles não comem carne de porco. Pela religião que não permite, mas também porque eles tem mesmo muito nojo. Logo não vão gostar que você coma carne de porco também (adeus presunto, salsicha, linguiça...). E se eles vierem ao Brasil, vão te perturbar na velocidade 5, pra você não deixá-los comer. Melhor ficar bem atenta.
  • Ao se casar com um turco (desculpa, se vou constranger alguém), ao terem relações sexuais, eles tomam banho quase que em seguida, logo as respectivas esposas precisam agir da mesma forma. 
Aí você me diz:
-Ahaaaa, como sabe disso, dona Jessica? Converse com uma esposa de turco que você pode saber.
Ou então pode dizer:
-Credo, né, Jessica, todo mundo toma banho! Sim, todo mundo toma (ou deveria) tomar banho depois do ato sexual, mas eu digo, não tem aquela coisa de sei lá... estar tarde, dormir e tomar banho assim que acordar. Tem que tomar banho antes de dormir. Muçulmanos precisam sempre estar muito limpos ao orarem, pra isso eles fazem a ablução. Segundo Emre, um muçulmano não pode morrer, por exemplo, se não estiver limpo, se não estiver puro. Então por isso essa preocupação em estar sempre puro, segundo as instruções do Alcorão.
  • Família é algo muito importante! Por tanto, tenha respeito e carinho com a família dele. Te aconselho a especialmente não querer bater de frente com as mães deles. Além de não ser legal e ser desrespeitoso, certamente eles não vão gostar nadinha.
  • As visitas são tratadas como reis e rainhas. Logo, quando você for a Turquia, será muitíssimo bem tratada. Muitos sorrisos, abraços, presentes, comida farta... você vai se sentir uma verdadeira princesa. Maaaaaaas, contudo, porém, entretanto, quando você for a dona da casa, se prapare: você vai ter que fazer mil pratos e doces gostosos, estar sempre atenta a tudo que sua visita precisar, dar muita atenção, ser agradável. (Quando a Clau foi na minha casa em Istambul com o marido dela Umit, Emre quase me matou quando demorei na cozinha pra trazer a sobremesa do Umit hahaha. Ele disse que as visitas não podem esperar assim. - Beijos amor, ainda te amo! hahah)
Meus queridos amigos e convidados: Clau e Umit
Eu e amorzinho - favor não reparar na minha cara de acabada! haha

Nosso jantar maravilhoso graças a Clau! Olha aí nosso amigo pãozão de todas as refeições turcas!

Minha humilde contribuição - bolo de limão com recheio e cobertura de brigadeiro. Umit amou, daí dei pra Clau de presente uma caixinha de leite condensado hahah.

  • Lá você é prometida, depois você noiva, depois você casa. Perguntei ontem a diferença, de prometer e noivar, pra um amigo do Emre que está pra se casar e ele disse que não sabe, já que você troca alianças em todas as situações. Emre também não sabe, e nenhum outro amigo turco sabe. Ou seja, homens não sabem de nada haha.
  • Se vocês tiverem um filho homem, mesmo que você seja cristã, e tenha vontade que seu filho seja cristão, certamente seu filho será circuncidado. Todos os muçulmanos são, não seria diferente com seu filho. 
  • É bom que você não seja uma desgraça como eu na cozinha e saiba fazer coisas gostosas. Qualquer homem ficaria feliz com uma mulher que saiba cozinhar. Os turcos também. As mães dos turcos também, então faça como eu e peça já o seu livro de culinária turca rs.
Livro que minha mãe deu pro Emre cof cof cof, me deu de presente! (porque afinal quem sai ganhando é ele!)
  • Controle seus instintos latinos, porque você não vai ficar beijando ou agarrando seu namorado/marido em público. No máximo um beijinho muito rápido e bem discreto, de preferência quando ninguém tiver olhando e olhe lá. Isso não é comum entre os casais. Fora isso, só no rosto, contentemo-nos.


  • Falando de casais mais jovens, virgindade é um assunto bem importante. Seja qual for o caso, seja sincera sempre. Para casais mais maduros, isso perde um pouco a relevância, claro. Muitos já foram casados, já tem filhos, então a história é outra.
  • Ninguém vai te obrigar a usar véu, não se preocupe. Podem até preferir e terem o desejo de que um dia você se converta. Mas no Islam, é proibido e é um erro muito grave, uma pessoa obrigar outra a se converter. Até porque a conversão real, vem da vontade sincera, logo nenhum bom muçulmano fará ou insinuará algo assim.
Só é obrigatório mesmo o véu, em mesquitas. Essa é a Mesquita Azul. Linda!
  • Eles não podem ter 4 esposas. Turquia, como já disse outras vezes, é um país democrático, ou seja, regido por uma democracia, onde as pessoas votam, tem um código de leis, existe um presidente. E o livro constitucional turco e de mil outros países de maioria muçulmana, NÃO ACEITA legalmente relacionamentos poligamicos. Pode até existir, como acontece no Brasil, mas por debaixo dos panos. Aliás, isso não é muito bem visto. Experimenta dizer pra uma esposa turca, muçulmana fiel, que o marido dela quer (ou tem) outra mulher? Você verá uma mulher enfurecida.
Mas o que o Islam, diz sobre isso? Basicamente por 2 motivos.
1. Nas sociedades mais antigas, onde mulheres tinham pouco direito a opniões, e eram totalmente dependentes de seus pais, e em seguida, do seu marido, muitas ficavam na ruas passando fome, sujeitas a todo tipo de necessidade caso seus pais, irmãos mais velhos ou maridos morressem numa guerra, por exemplo. Nenhuma mulher trabalhava, e sem um homem que as sustentasse, elas estariam em miséria. Logo, o profeta Mohammed disse (segundo instruções divinas, para muçulmanos) que era permitido o casamento de um homem com ATÉ 4 esposas, para cuidado destas mulheres. Muitos homens se casavam com primas ou irmãs de suas esposas, a pedido delas, para que suas irmãs não ficassem desamparadas.
Só que tem uma condição: Se o homem achasse que não teria condições de dar IGUALMENTE afeto, atenção e até bens materiais para suas esposas, ele não deveria em hipótese algum ter outras esposas. Devendo ainda ter consentimento de sua primeira esposa. O casamento é algo sagrado e não para homens se satisfazerem como bem entenderem.
2. Li que a tendencia, é que no mundo, tenham mais mulheres do que homens no futuro. Isso resultaria num grande desequilibrio, onde muitas mulheres não encontrariam um par.

POR ISSO, a poligamia no Islam. Lembrando que a bíblia no antigo testamento fala de inúmeros casos de poligamia. Não julgo os argumentos. Simplesmente entendo e respeito.
Aconselho que leiam mais sobre o assunto aqui.

Não lembro mais do quê! Haha, depois conto mais. Beijos

quinta-feira, 30 de junho de 2011

E a família dele? - Parte 1

Quando o relacionamento, ainda que virtual, vai ficando mais sério, todo mundo fica imaginando como deve ser a família do amado. Porque muitas vezes isso pode ser um parâmetro da sinceridade e veracidade de todas as coisas que ouvimos.

Graças a Deus, eu nunca tive nenhum tipo de desconfiança do Emre. Não porque sou de ignorar meus instintos e fecho os olhos pras coisas que aparecem. Pelo contrário, sou muitíssimo sensível a sinais e características de pessoas, e super atenta à quaisquer ações. Mas de verdade, ele é uma pessoa que transpassa confiança a qualquer um que o conhece. Pelo jeito dele ser e também por suas ações. Nunca tive mesmo nada pra falar.

Mas de qualquer maneira há muitos meses atrás, quando começamos a nos falar por horas inacabáveis no MSN e no Skype, e fazíamos todas aquelas perguntas de alguém que queria poder consumir toda informação do outro, possível. Quanto mais ele me contava sobre ele, sua cidade, sua história, mais e mais eu queria saber. Porque assim eu sentia que o tinha mais, que o conhecia mais.

E de cara, fiquei sabendo que os pais dele eram bem tradicionais.
Ora, todo mundo quando pensa em familiares turcos, pensam e mulheres cobertas de cima a baixo, sérios, que vão te olhar feio por tudo, sempre altamente religiosos e tradicionais. Mas não é bem assim.

Atualmente conheço, pelo menos, umas 15 brasileiras envolvidas (lê-se: gostando, que já gostaram, enroladas, noivas, casadas, decepcionadas...) com turco. E achei que todas elas fossem ter este mesmo problema: famílias que não as aceitariam. Mas olha, pra minha grande surpresa, eu estava enganada. E que bom que estou enganada, porque sinal de que elas tem uma relação harmoniosa e feliz com as suas famílias.

Mas bem bem bem... não acontece assim comigo.
Já vi a família dele umas 4 vezes na webcam durante este tempo. Eles moram em Kirsehir e o Emre em Istambul com amigos numa casa. Isso é bem comum. Jovens de 20 e poucos anos, morando sozinhos, com amigos ou em repúblicas governamentais pra fazer faculdade. São sei lá... umas 8h de viagem de uma cidade pra outra, logo ele não vê muito os pais. Mas vai lá sempre que pode em feriados, finais de semana, ou outras ocasiões especiais. Então nestas vezes, pude 'conversar' com a família dele e foi tão legal!
O Emre ficava traduzindo tudo, porque (ainda) não falo turco né. Mas ele sorriam muito pra mim e me disseram que no dia que fosse a Turquia, que seria uma convidada deles e que poderia ficar com eles.

Eles sabem que sou amiga e professora virtual de inglês do Emre. Até aí, tudo ótimo!
Mas eles viram uma foto minha no celular do Emre, viram que nos falávamos sempre, que passaram os meses e sempre estávamos conversando. Então eles começaram a desconfiar, porque também, só alguém muito bobo pra não perceber o que estava acontecendo. E começaram o interrogatório.

Perguntaram se ele estava apaixonado por mim, se tinha alguma coisa acontecendo entre nós, porque nos falávamos tanto, porque tinha uma foto minha no celular dele. E eles falavam, que ele não poderia estar apaixonado por mim, que relacionamentos com estrangeiras não poderiam dar certo. Afinal, eu não sei falar turco, então como ia me comunicar com eles? Não conhecia a cultura, não conseguiria me adaptar, eu não sou muçulmana, e todos estes fatores trariam muita discórdia. Logo, se tivesse alguma pequenina coisa acontecendo, que ele tinha que esquecer, porque não era uma boa ideia.

"Emre, você não lembra da história do eu primo, que mora na Alemanha e se casou com uma alemã? Eles se separaram, você não se lembra? Casamentos com estrangeiros não acabam bem, eles se divorciam porque tem uma cabeça diferente da nossa."

E esses eram os argumentos. Inúmeros vezes os pais dele colocavam ele contra a parede fazendo sempre essas perguntas. Quando telefonavam pra ele, pra conversar e saber se estava tudo bem, de vez em quando perguntavam se ele continuava falando comigo. E vamos viver isso ainda durante algum bom tempo, até eu ter a chance de vê-los pessoalmente. Mas preciso ser justa e dizer, que fora tudo isso, eles me trataram muitíssimo bem, foram muito carinhosos, agradáveis.

E um dia foi tão fofo... eu os vendo na webcam pela primeira vez, quando o Emre foi visitar a irmã em Ancara, porque a filhinha dela tinha acabado de nascer. Então ele viajou pra conhecer a sobrinha. Daí minha sogra colocou a neném na camera pra eu ver, e disse que ela não abria muito os olhos. Daí aquela coisinha fofa abriu os olhinhos pra mim... hahahaha, eu me derretiiiiiiiiiiii. Aí eles ficaram suspresos, começaram a rir tambem, falaram que ela tinha gostado de mim. Me senti parte da familia sabe. Quando o conheci a irma estava gravida, daí eu vi a nenenzinha recém-nascida, depois eu a vi maiorzinha e fiquei ate brincando com ela pela câmera, toda risonha hahah. E hoje em dia, ela tá grandinha, correndo pela casa, me sinto mesmo a tia dela sabe, e fico babando que nem uma boba. Peço pro Emre tirar várias fotos e videos, e ele vai me mandando tudo depois, e eu fico vendo, mostrando pra todo mundo como se fosse minha sobrinha mesmo.
Cara, como eu vou mimar essa menina quando estiver lá. Quando eu for a Sra Korkoca (HA! sem pressão rs), vou levar ela pra nossa casa, comprar doces pra ela, levar ela no parquinho... :)

Mas infelizmente, de quando em quando, a família dele, fica querendo que ele conheça vizinhas, filhas e parentes de vizinhos pra conhecer e quem sabe até se casar. Vou contar isso melhor num outro post.
Tem vários detalhes sobre isso.

Beijos beijos

sábado, 8 de janeiro de 2011

Contagem Regressiva: 5 dias

Queria ter postado muito mais coisas antes, porque acima de tudo esse blog é um diário pra mim. As coisas estão acontecendo, passo a passo, e sinto que o futuro um ao lado do outro nos pertence. Então quero olhar para trás, ler estas palavras, e poder relembrar cada pedaço desse trajeto.

Maaaaaaas, não pude vir antes porque passei o Ano Novo com a família da parte do meu pai e ficou meio complicado de ficar postando de lá.

Pronto, voltei.

Faltam só 5 dias, e tudo na minha vida agora gira em torno dessa viagem.
Presentes pro meu lindo, casacos, casacos, cachecóis, luvas, casacos de novo, botas, documentos, dinheiro, cartão de crédito, todas as coisas básicas que não posso de jeito nenhum esquecer quando estiver lá. E dá-lhe, cremes, perfumes, escova no cabelo, fazer unhas, todas aquelas coisas de mulher. TENHO QUE estar A bonituda e cheirosuda né.

Hoje, uma amiga veio à minha casa fazendo minha família ficar mais tranquila em relação a viagem. Eu tava quase batendo nela, porque quanto mais ela falava, mais eu tava DOIDA pra ir pra Turquia logo. O cheiro de lá, os lugares, a comida, as pessoas, o tempo, o chamado pra oração (acho que vou até me emocionar quando ouvir pela primeira vez)...

São milhaaaaaaares de coisas a se pensar. Eu queria até dizer, mas me deu preguiça agora.

Não quero mais pensar em nada disso. Porque agora de fato, tudo o que consigo pensar é no Emre.
Quero muito vê-lo, estar com ele, rir com ele. E especialmente hoje tenho uma vontade absurda beijá-lo.
Acho que poderia beijar e beijar por horas. Nesse mesmo dia da semana que vem, eu vou estar lá, ao lado dele vivendo todas essas coisas maravilhosas que eu nunca pensei que fosse viver. E a cada diz, as coisas vão se encaixando. Parece até que era pra ser assim. Não sei se acredito exatamente na definição de destino, mas se acreditasse, poderia até dizer que é o que está acontecendo agora. Como se TIVESSE que ser assim. Claro que não é 'fácil, extramamente fáciiiiiiiiiiiiil' rs, mas um quebra cabeça, onde as peças vem chegando pouco a pouco, sabe? E isso é simplesmente magnífico, uma sensação de que você está seguindo o caminho certo.

Não consigo parar de agradecer a Deus. Muito muito obrigada mesmo, Senhor!

Askim benim, seni herseyimsin. Seni çok seviyorum!

Faltam só 5 dias, 5 diaaaaaaas. Tô morrendo. Socorro!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal em Istambul/Rio de Janeiro

Hoje já é véspera de Natal e eu penso que de fato o ano já está no final.

E ainda bem porque esse ano não foi nada fácil pra mim. Já não via hora de acabar mesmo.
As pessoas ficam com essa vontade de ver o ano acabando logo, como se exatamente na virada do ano, todas as coisas ruins se acabassem e a partir daquele momento, tudo novo, tudo de bom fosse acontecer. As vezes isso pode ser um pouco frustrante, porque no final das contas, tanto as coisas boas como ruins vão se repetir.
Mas sei que esse sentimento de esperanças renovadas faz realmente muito bem.
Sei porque me sinto assim toda vez.

E com relação ao Natal, ficam sempre aquelas lembranças de infância. Minha vó fazendo mesa de frutas, cozinhando os melhores doces e fazendo pratos especiais. Presentes, a família reunida vendo especiais de Natal na televisão, ou ouvindo música alta no rádio.

E eu agradeço a Deus, porque o meu lindo é uma pessoa tão especial. Tão amoroso, tão compreensivo, tão carinhoso... ele entende o significado dessa data pra mim, enquanto uma pessoa cristã. Se eu tivesse que ir morar na Turquia com ele, iria sem o menor medo, porque ao contrário do que muitas pessoas imaginam, ele não iria me proibir de nada, ou dificultar, ou brigar... nada disso. E olha que ele é um bom muçulmano, que busca agir de acordo com a sua fé, da melhor maneira que pode. Muito melhor aliás, que muitos de seus amigos, e tenho orgulho dele por isso.

Especialmente nesse tipo de relacionamento inter-cultural, se não houver muita boa vontade de ouvir o que o outro pensa, muita paciência, mente aberta, fica realmente muito difícil saber lidar e conviver. É preciso se livrar de conceitos pré-concebidos, e ouvir mesmo as coisas mais difíceis com coração aberto.
Obrigada, meu amor por ser assim pra mim. Quando todas as nossas diferenças poderiam ser problemas, elas se tornam somente o tempero de quem somos e seremos juntos.

Essa foto me lembra a árvore de Natal enorme que eu tinha, que eu ganhei de presente de Natal, quando era pequenas, e meus avós malvados jogaram fora pra comprar uma pequena, hunf =´/

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sim: vou a Turquia! [parte 1]

Juro, só de escrever esse título eu acho que estou ficando maluca.
Como assim você, dona Jessica vai pra Turquia? Eu hein.

As pessoas vão pensar (algumas até dizem):
E você tem dinheiro e tempo pra isso? Vai estar muito frio lá em Janeiro, sabia?
Você não tem roupas de frio que sejam suficientemente quentes pra você usar lá.
Você tem asma, rinite, bronquite, sinusite... você vai ficar muito doente quando chegar lá, estou avisando.
E outra... você vai ter que usar véu lá! Todos os países ÁRABES/ISLÂMICOS as mulheres são oprimidas, numa sociedade machista, onde elas não podem fazer nada e são obrigadas a usar aquele monte de pano na cabeça.
Parece que é doida... aquilo lá explode, cheio de terroristas e atentados o tempo inteiro. Eu bem assisti no jornal o caso daquela mulher que foi condenada a morte a pedradas. E esse tal de turco, pode pegar você e te vender por um barril de petróleo pra algum sheikh. Pelo amor de Deus, você está maluca? Você não pode ir a Turquia.

E eu digo:
É pra começar a rir agora ou daqui a pouco?
Dinheiro mesmo eu não tenho, mas que coisa hoje em dia não se pode conseguir comprando em parcelas?
Eu sei que vai estar frio, mas minha mãe está morando em Portugal, e ainda não morreu. Se eu quiser visitá-la algum dia, preciso ir pro frio.
Sim, tenho várias doenças respiratórias. Já fui ao médico, pedi recomendações pra que eu fique bem enquanto estiver lá, e farei como ele disse. Vou levar meus remédios, meu nebulisador e tomar todos os cuidados necessários. Já estou tomando vitamina C desde já, pra ficar com os anticorpos bem fortinhos.
Momento cultural: A Turquia não é um país árabe.  Ela é considerada um país, euroasiático porque é o único país do mundo que se encontra nos 2 continentes. Sua grande maioria na Ásia, e uma uma porção de Istambul (a cidade pra onde vou) na Europa, e são ligadas pela Ponte de Bósforo.
Outra coisa ser árabe não é a mesma coisa que ser muçulmano. Existem árabes que são cristãos por exemplos. E existem muçulmanos, que não são árabe, como é no casa da maioria das pessoas na Turquia.
Também é um país laico, ou seja regido por normas e leis de um código constitucional. E não um país teocrático, onde o que rege o país são as leis religiosas como no Irã, Sudão, Arábia Saudita, Vaticano... e outros.
Existem terroristas e bandidos em qualquer lugar do mundo, ou o que será que a Polícia Militar, o BOPE, o Exército, a Marinha foi tentar capturar na Favela do Cruzeiro e no Morro do Alemão nessas últimas semanas? Os Ursinhos Carinhosos? E queimar ônibus não é atentado não, apesar uma forma de expressão artística? Claro que em algum países, existem constantes guerras sejam políticas ou religiosas... mas fora isso estamos todos no mesmo barco, com problema de violência.
O turcos (e árabes, e muçulmanos, e hindus, e indianos...) são pessoas normais, assim como nós, precisamos desmistificar aquela idéia quase que de história infantil que muitos de nós ainda tem.

Não, ninguém vai me vender pra um sheikh por Petróleo.
Não, ele não é nenhum bandido ou criminoso.
Não, não estou com medo. Estou é mais feliz do que jamais estive.

E sim, apesar de todos os poréns e barreiras, tenho uma só resposta pelo qual motivo acho que finalmente estou fazendo minha primeira viagem internacional, e em específico pra Turquia. Porque Deus permitiu.
E com todas as explicações do mundo, quando o impossível (ou quase) acontece, é sem dúvida algo que já estava planejado, por algum motivo, muito mesmo de nós fazermos os planos.

Por isso, serei eternamente grata, seja lá o que me espera depois. Muito obrigada, meu Deus!


Ps: Posso postar um musiquinha fofa que me faz sorrir só de lembrar, porque me lembro dele?
Posso mesmo? Então tá. :)
Seja curioso e clique aqui, pra ouvir

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Beber água faz mal?


A não ser que você seja afogado, ou caia de maneira muito brusca no mar por exemplo, ou que esteja envenenada, eu nunca ouvi dizer que beber água faz mal! rs
Quer dizer, não simplesmente a água por si só, mas segundo 'ele' beber água muito rápido faz mal a saúde.

Eu estava falando com ele, como quase todo os dias fazemos. Só que antes eu tinha corrido um pouquinho, me agitado um pouquinho aqui em casa (por favor não me peça explicações haha). Tá. Aí no meio da conversa me bateu uma sede absurda. Ele estava falando alguma coisa, e eu esperando pra que ele terminasse, pra que eu pedisse licença e fosse beber água lá na cozinha. Só que eu olhei pro lado e tinha uma garrafinha daquelas de 510 ml cheinha de água, que eu nem me lembro muito bem como veio parar no meu quarto. Só sei que ela não poderia estar aqui em melhor momento. Mas quando eu olhei pra garrafinha, aquilo foi tão mágico... porque afinal como assim eu tô morrendo de sede e sem que eu saiba como uma garrafinha de água gelada tá no meu quarto e eu não sei? Parece até mágica, não parece? hahah

Aí, ele tava lá falando alguma coisa e eu quase dei um pulo e falei super alto:
- Aaaaaaaaaaaaaahh! Quer dizer, opa, desculpa, continua falando askim.

Certamente ele achou que eu tivesse algo muito interessante ou de extremo valor pra falar. Tadinho, ele estava tão errado. Então ele parou de falar, e como toda vez que eu interrompo, ele insistiu pra que eu falasse a tal 'coisa importante'. *Obs: Nossa, acabei de descobrir que eu sou muito mal educada. Não posso cortar as pessoas no meio do que elas estão falando assim hehe*. Ele disse:
- Não askim, pode falar... o que foi?
- Nada, é que eu tô morrendo de sede e tem uma garrafinha de água aqui, então... GLUP GLUP GLUP GLUP GLUP GLUP GLUP GLUP ( matei a garrafa d'água de uma vez só)

Ele arregalou os olhos e certamente deve ter pensado "Que monstro, essa garota!" hahaha
- Uuuuuuf, askim. Você não deveria beber água assim porque faz mal.
- Hahha, desculpa, é que tem certas coisas que eu não consigo fazer muito devagar. Comer e beber são algumas dessas coisas. Eu tenho nervoso de quem come, para, pensa, olha pro lado, respira, fala com alguém, aí só depois dá mais uma garfada... não aguento!
- Hahaha, tudo bem. Mas de qualquer forma, não faça mais isso, tá? Isso faz mais pra sua saúde.
- Ei, como assim? É só água! Água em hipótese alguma deveria fazer mal a alguém.
- Eu bebia água assim, rápido como você. E minha mãe me disse que fazia mal. Nós devemos pelo menos dar 3 pausas para beber a água.
- Eu vou ter que ficar contando pausas pra beber água? Ai não, não vou conseguir fazer isso não haha.
- Bem e se você quer saber, no Islam, o profeta Mohammed bebia água assim. Com 3 pausas, e a cada pausa que ele fazia ele dizia "Bismillah". Então você deveria fazer isso também. Ele é o exemplo de homem perfeito que nós devemos seguir e se ele agia assim, nós devemos fazer o mesmo. Então por favor, você pode fazer isso? É importante pra mim, porque vai fazer bem pra sua saúde.
- Aaaai ai ai, okay eu vou tentar. Só não posso ficar dizendo "Bismillah" toda vez que eu for beber água porque eu sou cristã né, você sabe... Mas vou tentar beber água mais devegar. Não prometo, mas vou tentar.
- Não promete, mas vai tentar? Então você nem vai fazer, oras... Isso é discurso de quem tá de saco cheio e não vai fazer que eu sei heheh. Por favor, faz isso por mim?
- Tá bem! Tô dizendo que eu vou tentar, então eu vou.
- Obrigado, tá? Vai ser bom pra você.
- Hehehe, tá bem, eu sei que você se preocupa. Obrigada. Mas que vai ser difícil, ah vai.

Então ok. Está aqui resgistrado, que eu devo beber água mais devagar, e que eu dei muita importância ao que você me disse. Sou ou não são uma fofa? hehehe